quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A arte do capital e o capital da arte


Faz algum tempo que venho refletindo sobre nossa produção artística. Primeiro só olhava pra periferia da zona sul de São Paulo, aos poucos meu trabalho como documentarista e pensador dessa produção foi se expandido para outras regiões, sempre as margens, sempre na imensa franja que permeia a cidade. E agora venho pensando na produção artística paulistana como um todo. E minha pergunta é: porque não há um movimento de arte na cidade? Com manifesto e reclamador de direitos e utopias?
Alguns dirão que sim, que há um movimento de arte sobretudo nas periferias e eu mesmo já fui dessa opinião. Mas ao estudar a história dos movimentos artísticos me deparei com inúmeros manifestos. O Pau Brasil e o Manifesto Antropófago do Oswald de Andrade, o Ultraismo de Borges, o Tropicalismo, o Futurismo, o Dadaísmo que lutava contra a falta de sentido da primeira guerra mundial, o Punk com sua moda de vestimenta e sua vocação anarquista contra todos os governos. Poderíamos falar por horas de movimentos e manifestos. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sociedade infantilizada


Ontem participei de uma pesquisa de mercado. Ganhei 300 paus pra opinar, brincar e conhecer gente durante 3 horas. Ao final disse ao grupo que me sentia mal de participar de uma pesquisa de mercado, que acho uma pena que o próprio mercado promovesse um encontro tão gostoso entre pessoas e que me sentia bem de ganhar 300 pratas assim.

As pessoas estavam mega interessadas umas nas outras, no grupo haviam apenas dois homens, uma vez que era uma pesquisa pra entender o comportamento dos filhos. O restante era de lindas mulheres que trabalham 3 ou 4 vezes mais do que os homens.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Entrevista: Peu Pereira Revista Palíndromo Processos Artísticos Contempoâneos 2011 / no5 247


Coletivo Arte na Periferia1 

Célia: Vamos começar falando um pouco sobre a arte contemporânea no caminho do trabalho coletivo. Hoje há diversos grupos que se or- ganizam. O quê levou vocês a se organizarem em grupo e quem são as pessoas desse coletivo? 

Peu: Nós somos três pessoas, eu, o David Vidad e a Daniela Embón. A gente resolveu se juntar para fomentar essa reflexão sobre a arte da periferia, porque cada um de nós tinha diferentes desenvolturas para determinados conhecimen- tos. No momento em questão, o David sabia bastante a respeito da técnica do audiovisual, ele tem uma facilidade grande para pesquisar, aprender e tal. Eu vinha com a proposição de refletir sobre essa produção artística da periferia. E a Dani estava na época terminando a sua graduação em Ciências Sociais, com uma monografia sobre a produção artística na periferia. Então tudo se linkou, e a gente percebeu que juntos conseguiríamos ter mais projeção, mais força. Mas também porque a gente começou a perceber que haviam muitos grupos pro- duzindo cultura artística na periferia, e que a gente não podia pesquisar sozinho, que fazendo isso juntos teríamos um envolvimento mais forte com os outros grupos. E esses grupos todos juntos formam uma coisa que a gente ainda não sabe o que é, talvez daqui alguns anos isso tenha uma forma mais definida.

Por uma cidade sem medo

Uma parte da periferia tá puta porque os lance do Haddad tá tudo no centro, porque tiraram a linha terminal capelinha depois da meia noite etc etc. A classe média tá puta porque os 4x4 tão andando menos depressa do que uma bike. A burguesia tá lucrando com a crise.
É uma pena notar que em mais de duas décadas nunca houve uma prefeitura que fizesse tanto por uma cidade burguesa e individualista como São Paulo.
Ontem eu cruzei com o secretário de cultura, Nabil Bonduki​ andando sozinho de bike perto do metrô santa cecília, pensei, pô já vi vários memes de estrangeiro nesse mesmo exemplo, aqui vão dizer que o cara é populista, desclassificado, comunista.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Realismo ficcional


Se é realismo não é ficção e vice e versa. Não quando vivemos neste mundão de hoje em dia. A pergunta não é o que é a realidade? Mas o que a realidade se tornou? Tornou-se um imenso conto de fadas, um big espetáculo, uma caverna pseudohightech de fantoches de sombras.  

Todo o jogo político, o consumo de alimento vegetal e animal, as guerras que via de regra servem para o genocídio. A fome que poderia ser zerada caso parássemos de comer carne, uma vez que os grãos do mundo são consumido pelo mercado animal. Fora isso as milhares de distinção que são meramente imaginárias. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

pretérito perfeito

Vivemos a maior parte do tempo no passado. Digo isso pensando que aquilo que se pensa projeta-se na realidade. A partir daí pode-se notar o quanto é difícil se concentrar. Cientistas dizem que a média máxima é de 8 minutos o tempo em que uma pessoa pode se manter concentrada ininterruptamente.

Nossa realidade está apoiada na memória, retire a memória do contexto e o que temos? Difícil imaginar inclusive, tão calcados estamos na ideia de preservação da memória. Mas tire a memória e você tem uma enorme presença. Você se finca no presente. 

domingo, 19 de julho de 2015

A guerrilha e a arte

Uma vez estive com um ex-guerrilheiro do M19 e perguntei pra ele qual a sensação de ter deixado o front, de ter parado de lutar com as armas. Me respondeu o seguinte:
“... A guerrilha foi necessária, naquele momento precisávamos lutar e precisávamos de armas, tínhamos que impor um respeito, tínhamos que ter poder, mas o exercito é muito grande. 
Eu perdi muita coisa na guerrilha, perdi mulher, perdi familiares, minha irmã foi torturada e assassinado por minha causa. Eu estava matando o inimigo lá na selva, e vou te dizer uma coisa, matar não é nada bom. Matar é coisa do passado, as armas já não servem mais, a única forma de revolução possível é a revolução que vocês estão fazendo, revolução cultural, com arte, com armas de belos poemas! Matar é coisa do passado.”

sábado, 18 de julho de 2015

Fazer cinema na periferia

Produzir cinema já é difícil no Brasil, na periferia então. Pior. Porém não quero dizer que tudo é difícil e nem que tudo é maravilhoso, para mim é uma situação normal. Nunca estive numa produção grande, nunca estive num estúdio, vendo a construção de um cenário, num sentindo onde se pode construir o filme, dia a dia, criar seu universo peculiar, seus movimentos, seu clima.
Fazemos do jeito que dá e queremos fazer de um jeito que fique bacana, bonito, sem rasuras. E para tal, evidentemente é necessário uma planilha de produção, listas de equipamentos detalhados por dia de uso, datas, equipes, atores, figurinista, maquiador, continuísta e mais uma porrada de coisas. E óbvio que não temos tudo isso.
Mas quem falou que cinema é isso? Ou que deva ser feito desse modo? E não quero dizer que o modo do fazer cinema hoje é errado, acho um esquema muito engenhoso. Que prevê boa parte das coisas que precisam ser previstas.
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Documentarista e artista visual. Compartilha interesses pela produção artística paulistana. Atualmente produz seu novo documentário INÉDITOS E DISPERSOS
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