segunda-feira, 3 de agosto de 2015

pretérito perfeito

Vivemos a maior parte do tempo no passado. Digo isso pensando que aquilo que se pensa projeta-se na realidade. A partir daí pode-se notar o quanto é difícil se concentrar. Cientistas dizem que a média máxima é de 8 minutos o tempo em que uma pessoa pode se manter concentrada ininterruptamente.

Nossa realidade está apoiada na memória, retire a memória do contexto e o que temos? Difícil imaginar inclusive, tão calcados estamos na ideia de preservação da memória. Mas tire a memória e você tem uma enorme presença. Você se finca no presente. 


O que é a memória? E o que é presente? E o que é realidade, posto que sabemos existem múltiplas realidades e dimensões que não notamos. A começar pelos ácaros em nosso corpo e uma porrada de dimensões micro e macroscópicas. Essas são perguntas para ficar ruminando ao longo da viagem, elas seguramente terão respostas diferentes em tempos diferentes. 

A parte prática é que de fato temos nosso pensamento baseado no passado ou em imaginações que apetecem nosso ego gordo e eloquente. Mais ainda, repetimos palavras em nosso pensamento. Isso parece com um carro num enorme espaço que tem a capacidade de se mover a 1000 km/h, mas só avança a 90 km/h.

Estar no presente é como concentração. Demanda energia do pensamento, demanda força de uma natureza precisa que é estar consigo mesmo, que é parar para perceber, observar. 

Já não lembramos da cara de nossos entes, não lembramos sequer de nossas caras, já não bastam espelhos, é preciso um mar de fotografias e nem assim é possível preencher esse vazio, que não é existencialista, mas capitalista no que concerne sua perpetua manutenção por meio da crença no desejo. 

Estamos vivendo no passado, estamos vivendo numa realidade ficcional. Imaginação em cima de imaginação ao longo de centenas de anos e temos um monte de pensamento profundamente inutil sobre uma realidade inventada. 

Frequentemente rememoramos e recordamos o passado, contamos histórias que vivemos ou histórias de coisas ou lugares ou pessoas que já foi. Deste modo a revolução estará sempre um atrasada, naturalmente. É preciso viver o presente, estar no presente.
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Documentarista e artista visual. Compartilha interesses pela produção artística paulistana. Atualmente produz seu novo documentário INÉDITOS E DISPERSOS
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