quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sociedade infantilizada


Ontem participei de uma pesquisa de mercado. Ganhei 300 paus pra opinar, brincar e conhecer gente durante 3 horas. Ao final disse ao grupo que me sentia mal de participar de uma pesquisa de mercado, que acho uma pena que o próprio mercado promovesse um encontro tão gostoso entre pessoas e que me sentia bem de ganhar 300 pratas assim.

As pessoas estavam mega interessadas umas nas outras, no grupo haviam apenas dois homens, uma vez que era uma pesquisa pra entender o comportamento dos filhos. O restante era de lindas mulheres que trabalham 3 ou 4 vezes mais do que os homens.


Se eu tivesse que dar uma idade pra sociedade de 0 a 100 anos, daria 11 anos de idade. Digo isso por causa da estrema infantilização do ser humano, na vontade de fantasiar com as crianças sobre uma fada dos dentes que te paga por um dente, fadinha capitalista essa. De um papai Noel que te traz os presentes assim sem mais e nem menos.

Com frequência digo ao meu filho, você não deve rebater uma critica atacando o outro, isso é infantil. Exemplo. Poxa você não tira seu prato da mesa, resposta: nossa quanto mal humor ou você também não recolhe o lixo ou você isso ou aquilo. O fato é que as pessoas não respondem: é verdade, vou retirar meu prato da mesa e ficar atento pra adquirir esse hábito. Não. Uma pessoa diz, meu você é muito atrasado. E a outra responde, você que é!

Daí reclamamos atitudes bonitas, verdadeiras, amores possíveis de clareza etc etc etc mas nós mesmos não fazemos nada pra mudar esses valores, os quais só mudam com a prática. A maioria das praticas hoje permitidas ou aceitas, foram rechaçadas antes. O skate hoje é um esporte, mas a menos de 40 anos era uma coisa de marginal. Foi a prática de milhares de jovens pelo mundo que mudou isso e mais, o olhar da mão invisível do mercado que promoveu e hoje patrocina esse esporte.

Meu filho reclama de dor no joelho, passou a jogar bola, fiquei feliz. Daí olho e ele está com um all star, digo, você joga bola com esse tênis, veja, ele só tem uma palmilha que suporta o atrito. Mas pai estou falando do meu joelho, mas filho seu joelho é o conjunto do seu corpo e ele suporta boa parte do atrito, é evidente que você vai ter dor no joelho. É óbvio, mas infelizmente o Brecht falou uma coisa tanto tempo atrás que ainda não mudou. É necessário explicar o óbvio.

Agora faço minha crítica ao Haddad, as pessoas querem viver num playground, num parque de diversões e claro que um adulto que tem mais dinheiro terá mais êxito em viver dessa forma. Os 99% da população caga a anda com toda essa política porque na maior parte do mês, não tem dinheiro. Porque gasta a maior parte do seu tempo fazendo o que não gosta por um salário de miséria. Porque tiveram a infância roubada e antes de poder olhar pro mundo, já estavam cerradas olhando para uma especialização forçada.

Eu sei que é difícil admitir nossos monstros e nossos pensamentos mais feios, eu sei que é difícil controlar ou fluir nossos sentimento sem julgamentos ou sentimentos difícil como raiva, medo, rancor, inveja etc. Mas se não o fizermos, se não rolar o primeiro passo, estamos fadados a viver um síndrome de peter pan (ser eternamente crianças) coletiva, tropeçando nos nossos próprios enganos o tempo todo. 

A criança baseia suas atitudes no outro, pois está em busca de referência, está em formação. No entanto nós devemos ser a referência que queremos ver no outro. parafraseando o Ghandi. E pra isso é preciso mudar aqui dentro antes de querer mudar aí fora. 

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Documentarista e artista visual. Compartilha interesses pela produção artística paulistana. Atualmente produz seu novo documentário INÉDITOS E DISPERSOS
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